domingo, 11 de dezembro de 2011

WE NEED TO TALK ABOUT KEVIN (2011) dir. Lynne Ramsay, por Tiago Moura

FILHO DO MEU FILHO MEU FILHO É



We Need To Talk About Kevin
De: Lynne Ramsay
Argumento: Lynne Ramsay et all.
Elenco: Tilda Swinton, John C. Reilly e Ezra Miller




Poucos são os formatos que discutem a condição destrutiva que vem associada à ocasião jubilante de dar vida a um outro ser humano. O filme We Need To Talk About Kevin de Lynne Ramsay quebra com esse perpétuo tabu. Adaptado da obra homonima de Lionel Shriver, Kevin é facilmente um dos filmes mais perturbantes do ano.

Quando Eva (Tilda Swinton) dá a luz o seu primeiro filho pára de existir enquanto uma mulher de carreira que vingou em Nova Iorque, e forçosamente troca as suas tarefas pelo papel de mãe. Mas esta não é uma transição fácil. Eva não consegue lidar com o temperamento difícil do seu bebé e este parece perceber desde muito novo que o poder está do seu lado.

O filme abre com um plano geral de Eva na La Tomatina, que transporta o público para o universo abstracto dos quadros de Mark Rothko em que é o espectador que preenche a tela com as suas interpretações. O vermelho que suja o corpo de Eva nesta primeira sequência será uma constante agressão sob a imagem e abrirá discussão sobre as suas diferentes leituras; seja pintado na face da casa de Eva ou na luz que permeia pelo seu quarto.

Mais do que um dos ambientes mais tensos dos últimos anos cinematográficos, We Need To Talk About Kevin é, igualmente, uma das películas mais bem construídas do ano. Esteticamente o filme é incrivelmente inteligente no modo como sobrepõe elementos visuais e sonoros de forma a dar continuidade à narrativa. Esta é uma opção que resulta muito bem ao ligar os dois tempos narratológicos do filme, ao ponto em que cria diferentes ilusões para o espectador.

Mas temos de falar de Tilda Swinton. A actriz - já vencedora de um Óscar - apresenta-nos uma incrível interpretação no papel de uma mãe que se vê confrontada com as acções do seu filho e se debate com a sua responsabilidade. Swinton é parte espectro parte humana numa personagem capaz de criar simpatia e, ao mesmo tempo, revolta no espectador. Também de salientar é o jovem Ezra Miller, na terceira encarnação de Kevin, que no seu ar jovial é capaz de perturbar o mais certo dos espectadores.

We Need To Talk About Kevin é um thriller notável, que deixa o espectador clamando por respostas e razões para o que vê no ecrã. Normalmente, isto não seria um elogio, mas num filme que trata a violência tão familiarmente seria impossível sair da sala de cinema com as respostas todas.

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