Direção: Julia Leigh
Argumento: Julia Leigh
Elenco: Emily Browning, Rachael Blake e Ewen Leslie
Sleeping Beauty não é um grande filme. Não deixa de ser um bom filme, de certa forma: mas nunca será um filme a ser recordado em 2011; e sendo este a estreia de Julia Leigh como argumentista e realizadora, não se entende a enorme projeção alcançada também.
Um filme com nome de conto de fadas (Bela Adormecida) criou em mim inúmeras idealizações - não vou negar – que de facto não chegaram a ser colmatadas de nenhuma forma. Há em Sleeping Beauty uma tentativa de criação de uma realidade com que nunca nos deparamos e essa originalidade é muito bem-vinda: o problema é que acabamos por sentir que tudo está a ser mal explorado e ficamos sempre à espera de mais durante os 104 minutos de filme.
A fotografia nem sempre é boa, no entanto – quando o é, é-o de uma maneira incrível e avassaladora. É um filme que retorna os fade-outs de cenas como em outros tempos, mas que nem sempre o faz da melhor forma. O argumento é uma tentativa de filosofia excêntrica que falha por completo – teria tudo para ser um bom guião, mas faltou essa tal exploração de que falei e acaba muitas vezes por se tornar bastante non-sense. A banda-sonora? É inexistente – excepto por umas melodias raras que fazem lembrar filmes de terror do início dos dias do cinema, talvez numa tentativa conturbada de nos entusiasmar com a narrativa.
Sleeping Beauty tinha tudo para ser um bom filme, mas não o conseguiu concretizar: deixando-nos com algumas imagens que acabam por ser perturbadoras, simplesmente porque não foram explicitamente claras e honestas. Há um esforço por se conseguir uma obra de arte e por momentos ainda pensamos que isso vai acontecer e continuamos a torcer por isso – mas quando chegamos ao final temos apenas vontade de encolher os ombros e seguir em frente com a nossa vida.
Ainda que não seja um grande filme de 2011: Sleeping Beauty merece de facto ser visto, simplesmente pelo genial desempenho da bela Emily Browning. Emily é a peça fulcral de todo o filme e entrega-se de corpo inteiro a um papel de cinema independente. Confesso que eu tinha esperança de a ver um dia num papel como este; não chega dizer que Emily esteve à altura do papel: ela foi mais que qualquer indicação cénica que lhe podiam ter dado – Emily foi a verdadeira Bela Adormecida e tornou um filme mal explorado em algo que não podemos deixar de ver – ainda que tudo não passe de conceitos e desejos non-sense pouco explícitos e explorados.



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