| Direção: Lars von Trier Argumento: Lars von Trier Elenco: Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg e Kiefer Sutherland Melancholia é um assombro de filme que ejecta em nós esse mesmo sentimento de tristeza rotineira. Melancholia é bem mais que um planeta que aparece no Universo com risco de provocar o apocalipse: Melancholia é o fim do mundo e este filme é sobre aquilo que sentiríamos se soubéssemos que de facto o mundo iria acabar. Lars von Trier está de volta aos seus anos dourados – depois da sua perversão e desafiar em Anticristo: que muitos dirão que foi um verdadeiro flop, leva-nos de novo a mais um desafio à condição humana: a aceitação da morte. Acho que há uma qualquer obsessão no cineasta por condições extremas e sentimentos no limiar – por isso é que todas as atrizes que trabalham com ele se sentem puxadas ao limite. Desta vez temos uma Kirsten Dunst, um Alexander Skarsgård e até um Kiefer Sutherland – o que nos faz duvidar das intenções de Trier; no entanto continuamos a ter uma Charlotte Gainsbourg e escusado será dizer que só ela e Dunst é que realmente importam aqui: o resto é - nada mais, nada menos – que pano de fundo. Nunca simpatizei muito com a Kirsten Dunst – tive aquela curiosidade de gostar dela aquando da sua Marie Antoinette, mas fora isso: nada puxava muito por mim; mas Dunst neste filme está deslumbrante como qualquer atriz que decida entregar o corpo a Lars von Trier – provavelmente o seu melhor papel de sempre (arriscaria a dizer). A fotografia do filme é das melhores dos últimos tempos e a banda sonora é estupenda: genial até – há toda uma sensação apocalíptica provocada por cada uma das melodias de Wagner. Assombrando-nos logo desde o início com uma sequência que nos lembra algo como o stop motion acompanhado por Tristan and Isolde. Sabemos que a cena do casamento não é inteiramente original nas produções de von Trier, mas penso que isso não interessa muito para o caso – porque o que ele fez foi melhora-la e detalha-la de mais interesse; pegar numa cena que quase ninguém viu para a reciclar e não a desperdiçar. Há em Melancholia uma sensação de que estamos agarrados ao filme desde o seu verdadeiro início – não queremos parar de ver o que vai acontecer por nada e eu penso que isso é um factor agradável que Trier acrescentou à sua obra. Há em nós uma sensação de compaixão por aquelas personagens e dei por mim a certa altura a falar com elas. Não deixa de ser um filme triste e (escusado será dizer) melancólico – mas confesso que me diverti (principalmente com a cena deliciosa da limousine) e sinceramente eu não me lembro de alguma vez me ter divertido com Lars von Trier. |
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Melancholia, por Ricardo Branco
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