De: Gus van Sant
Com: Mia Wasikowska, Henry Hopper
Argumento: Jason Lew
"To die by your side is such an heavenly way to die" - assim vai a mítica música dos The Smiths, que não se acharia desencontrada na banda sonora do mais recente filme de Gus van Sant. As tramas e vicissitudes da adolescência já foram, no passado, terreno muito fértil para o cinema de Gus van Sant e em Restless o realizador oferece ao espectador mais uma luz a uma história (a)típica de amor Hollywoodesco.
Por norma, os romances cinematográficos têm sempre de superar algum obstáculo - uns mais humanos que outros - para que o espectador reconheça a validade do sentimento que observa. Em Restless, Annabel (Mia Wasikowska) é uma jovem que padece aos poucos de cancro e que trava uma relação peculiar com Enoch (Henry Hopper) num dos muitos funerais que este gosta de assistir.
A postura hesitante com que Enoch é apresentado contrasta com a expressão dócil de Annabel, quando esta o procura pela suposta primeira vez. Apesar de as duas personagens criarem entre si um forte laço, essa primeira diferença será a mais pesada fronteira a ser explorada quando ambos tiverem de enfrentar o obstáculo ao seu sentimento - a morte.
E a morte será certa - assim avisa Annabel.
Gus van Sant é reconhecido como um narrador único e aqui o realizador fala para uma geração (des)encantada - uma geração que se revê nos Suburbs dos Arcade Fire e que procura um escape para o sonambulismo quotidiano. Restless usa e abusa do ar inocente dos dois actores principais e do modo peculiar como cada uma das suas personagens se relaciona com o mundo. A figura - quase angélica - de Hopper e Wasikowska carrega em si a responsabilidade de comunicar ao espectador a confusão que é lidar com a morte e, em último, com a vida depois da morte. Henry Hopper é particularmente convincente - apesar da sua novidade em papéis cinematográficos de maior relevo - no seu papel de um rapaz, no mais puro dos termos, preso nos traumas do passado e nas incertezas do presente.
O filme desenrola-se em pequenos quadros iluminados (quase etéreos) e desprovidos de grande azáfama. Toda a emoção que transbordaria de uma narrativa destas é apresentada ao espectador de um modo controlado e através de uma lente cheia de gloss que culmina em diferentes sequências em que a banda sonora e a imagem privada de diálogo se fundem numa só escrita.
Restless pode não ser o filme mais inventivo dos últimos anos, ou até mesmo da obra de Gus van Sant, mas nem só da inovação vive o artista. Afastando-se das temáticas mais pesadas que desenvolveu em Elephant (2003) e Last Days (2005), o realizador comanda que se faça luz sobre a morte e o resultado é um drama iluminado sobre o momento em que aprendemos a viver.


Gostei da crítica, parabéns! Gosto muito de Gus Van Sant, mas ainda não vi este... mas confesso que estou um bocadinho de pé atrás...
ResponderEliminar