terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Submarine, por Marta Sampaio



Direção
Richard Ayoade
Argumento
Richard Ayoade, Joe Dunthorne
Elenco
Craig Roberts, Yasmin Paige, Paddy Considine, Sally Hawkins e Noah Taylor




Submarine é mais um filme de adolescentes, é mais um filme que retrata a vida de um jovem à procura da sua identidade, é mais um filme que aborda questões típicas da adolescência: a sexualidade, a morte, a aceitação pelos pares, a vida familiar.
Mas Submarine é só nestes pontos semelhante a tantos outros filmes. A sátira presente em cada um dos acontecimentos retratados ou mesmo a ironia e o humor que tentam desdramatizar a já dramática vida destas personagens torna Submarine diferente.
Oliver Tate, exemplarmente interpretado por Craig Roberts, é um jovem que tenta adaptar-se a um mundo que não percebe. Ao questionar o seu próprio ser, chega a renegar valores em que acredita na ânsia de ser aceite e reconhecido. Apesar desta atitude lhe trazer vantagens, como a aproximação a Jordana Bevan (Yasmin Paige), uma rapariga estranha que gosta de brincar com fósforos, acaba por perceber que não faz parte daquele mundo que o quer domesticar – a escola – e vê finalmente a hipótese de concretizar o que pretende: perder a virgindade.


Possible Reasons
1. You’re fatally in love with me.
2. Best to do it before it’s legal.
3. Bound to be disappointing so why wait?


Rapidamente somos transportados para o mundo de Oliver, onde nada é deixado ao acaso: o vestuário, a sua mala, o dicionário que transporta e que todos os dias consulta, a parede do quarto repleta de desenhos e fotografias, os livros, a música francesa, a máquina de escrever, a sua cama. Imagens poéticas acompanham todo o filme, enquanto Oliver tenta salvar o casamento dos seus pais, ajudar o pai a vencer uma depressão, afastar a mãe de um antigo amor, passar despercebido na escola e não desiludir Jordana. Com comportamentos obsessivos, não compreendidos e algo exagerados – típicos desta fase da vida – Oliver é ele próprio um submarino, ligado a uma outra realidade na esperança flutuante de viver debaixo de água para não enfrentar os problemas, a ansiedade e o medo que as mudanças provocam. Aquela esperança de, entre humores e amores adolescentes voltar à superfície e tudo estar como quer, de acordar e aquele sonho ser real.



You're the only person I’ve allowed to be shrunk down to a microscopic size and swimming inside me in a tiny submersible machine.




Para além de evidenciar a adolescência como um período conturbado e de mudanças a vários níveis, com as quais inevitavelmente nos identificamos, Submarine toca-nos pelas imagens, pelos diálogos sentidos, pelas expressões carregadas, pelos sentimentos confusos, pela forma real como (re)trata o amor entre duas pessoas que tentam descobrir o que isso é e perceber se “aos 38 anos aquilo ainda vai importar”.
Baseado no romance de Joe Dunthorne, o realizador Richard Ayoade, estreante em longa-metragem, brinda-nos com um filme carregado de simbologias, que foca questões sérias de uma forma única, aparentemente descontraída, mas ainda assim profunda. A fotografia cativa e abraça o objetivo pretendido e, aliada a um cenário quase dramático e angustiante, a banda sonora do arctic monkey Alex Turner completa o filme com músicas intimistas e que contam elas próprias a história de Oliver e Jordana.

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