domingo, 11 de dezembro de 2011

La Piel Que Habito, por Ricardo Branco





Direção: Pedro Almodóvar                                                               
Argumento: Pedro Almodóvar / Agustín Almodóvar                          
Elenco: Antonio Banderas, Elena Anaya e Jan Cornet

              La Piel que Habito é o filme em que Almodóvar se decidiu vender – isto para deixar de ser polémico e passar a ser mediático: no entanto isso não fez deste filme um mau filme – muito pelo contrário.
            Este é um filme que poderia ser uma expiação completa – uma expiação sobre uma qualquer obsessão com o voyeurismo tentando transpor para o público essa mesma sensação: fazendo-nos sentir que nós é que somos os verdadeiros voyeurs.
       Colocando-nos perante cenas de violação – levando-nos a lembrar por breves vislumbres imagens do Irreversível de Noé: mas enquanto uma nos provocava um certo esgar de horror ou nojo, esta provoca-nos uma sensação de prazer dentro da nossa zona de conforto. Somos voyeurs e gostamos.
            A fotografia é ótima, mas ninguém estava à espera de outra coisa – Almodóvar celebra-se  com imagens juvenis como jardins de vestidos e premeia-nos com verdadeiras delícias aos olhos. A banda sonora não foge do costume: é boa como sempre – simples e singela.
            A teoria científica que integra o filme é completamente verosímil – e confesso que isso foi um alívio: estava a temer demasiado por esta introdução de Almodovar à massificação. Temos sangue, temos linfa, temos transgénicos e temos invenções que não são bioéticas.

            
          As referencias artísticas a Louis Bourgeois e Alice Munro fazem-nos crer que nem sempre vender-se quererá seguramente dizer uma mudança radical – até porque continua a existir neste filme coisas que não são para os olhos de toda a gente e pormenores que se escapam por entre a mediatização.
            Houve uma pequena desilusão: está tudo muito explicado, não há aquela sensação de interpretação de signos - porque Almodóvar lançou os foguetes e apanhou as canas para que ninguém tivesse que se esforçar minimamente para assimilar a sua mensagem.
            Há muito sexo e de forma polémica de certa forma e isso faz-nos ficar bastante felizes por revermos ali Almodovar chapado – mas depois temos analepses completamente explicitas com grandes letras a indicar-nos o tempo que passou e até quando estamos de volta ao presente.
            Se por um lado Almodovar conquistou mais publico que o costume, vendeu um pedaço da sua alma e para aqueles que sempre o idolatraram isso é imperdoável – de qualquer das formas é um bom filme para se ver numa tarde chuvosa de Domingo.


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