Direção: Andrew Haigh
Argumento: Andrew Haigh
Elenco: Tom Cullen e Chris New
Weekend é o filme que o cinema sempre precisou e estava à espera – eu explico porquê: Weekend é um filme com temática gay que não é sobre sida, nem sobre sexo. Weekend é uma história de amor que nos faz pensar em Before Sunrise e em mais algumas das histórias de amor que foram imortalizadas pelo cinema.
Podíamos pensar que a história do One Night Stand que acaba por ser mais que isso está mais que batida – mas a verdade é que Andrew Haigh vem tratar disso tudo duma outra forma que nos acaba por surpreender e absorver de tal forma que os noventa minutos de filme passam a correr.
A fotografia é completamente invulgar (com planos até de reflexos nos azulejos da parede) e a banda sonora não sendo muito relevante nesta obra é também boa. Os atores – sendo desconhecidos de todo – são uma verdadeira surpresa: não há um grande papel neste filme, mas o desempenho é feito com tanta naturalidade e simplicidade que os tornam em personagens muito reais. Não há fantasias por aqui.
O que realmente importa neste filme é o argumento. É brilhante e sublime e deixa-nos a refletir nas conversas banais que cada um vai tendo por aí: somos afundados em diversas temáticas num tom superficial, mas de quem sabe filosofar e isso faz-nos desejar que estas se transponham para a nossa vida e que encontremos alguém com quem possamos conversar daquela forma.
Não há uma história de amor avassaladora neste filme: há sim uma história de amor bonita e do dia-a-dia – que tanto vangloria o espírito de quem se envolve sexualmente num quarto escuro de um bar gay, como o espírito de alguém que se apaixona à primeira vista. É claro que o sexo também existe (afinal isso faz parte da vida), mas é filmado da forma mais correta que podia ser.
Este é um dos filmes que mais esperei para ver em toda a minha vida e em nada fui desiludido: muito pelo contrário. No final deste filme dei por mim a refletir na vida e o mesmo acontecerá com alguém que se reveja tão bem em uma destas personagens.
Um dos primeiros filmes (se não o primeiro) que vi em 2012 e garanto que não podia ter começado este novo ano cinematográfico de melhor forma – e ainda que (por uma razão que me ultrapassa completamente) este filme não vá passar pelos cinemas portugueses, em Março lá estarei para o comprar em DVD e repetir a proeza de ver um filme que trata a minha vida por tu.



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