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sábado, 3 de dezembro de 2011

Sleeping Beauty, por Ricardo Branco


Direção: Julia Leigh
Argumento: Julia Leigh
Elenco: Emily Browning, Rachael Blake e Ewen Leslie


            Sleeping Beauty não é um grande filme. Não deixa de ser um bom filme, de certa forma: mas nunca será um filme a ser recordado em 2011; e sendo este a estreia de Julia Leigh como argumentista e realizadora, não se entende a enorme projeção alcançada também.
            Um filme com nome de conto de fadas (Bela Adormecida) criou em mim inúmeras idealizações - não vou negar – que de facto não chegaram a ser colmatadas de nenhuma forma. Há em Sleeping Beauty uma tentativa de criação de uma realidade com que nunca nos deparamos e essa originalidade é muito bem-vinda: o problema é que acabamos por sentir que tudo está a ser mal explorado e ficamos sempre à espera de mais durante os 104 minutos de filme.
            A fotografia nem sempre é boa, no entanto – quando o é, é-o de uma maneira incrível e avassaladora. É um filme que retorna os fade-outs de cenas como em outros tempos, mas que nem sempre o faz da melhor forma. O argumento é uma tentativa de filosofia excêntrica que falha por completo – teria tudo para ser um bom guião, mas faltou essa tal exploração de que falei e acaba muitas vezes por se tornar bastante non-sense. A banda-sonora? É inexistente – excepto por umas melodias raras que fazem lembrar filmes de terror do início dos dias do cinema, talvez numa tentativa conturbada de nos entusiasmar com a narrativa.


            Sleeping Beauty tinha tudo para ser um bom filme, mas não o conseguiu concretizar: deixando-nos com algumas imagens que acabam por ser perturbadoras, simplesmente porque não foram explicitamente claras e honestas. Há um esforço por se conseguir uma obra de arte e por momentos ainda pensamos que isso vai acontecer e continuamos a torcer por isso – mas quando chegamos ao final temos apenas vontade de encolher os ombros e seguir em frente com a nossa vida.
            Ainda que não seja um grande filme de 2011: Sleeping Beauty merece de facto ser visto, simplesmente pelo genial desempenho da bela Emily Browning. Emily é a peça fulcral de todo o filme e entrega-se de corpo inteiro a um papel de cinema independente. Confesso que eu tinha esperança de a ver um dia num papel como este; não chega dizer que Emily esteve à altura do papel: ela foi mais que qualquer indicação cénica que lhe podiam ter dado – Emily foi a verdadeira Bela Adormecida e tornou um filme mal explorado em algo que não podemos deixar de ver – ainda que tudo não passe de conceitos e desejos non-sense pouco explícitos e explorados.
          

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Like Crazy, por Ricardo Branco



Direção: Drake Doremus
Argumento: Drake Doremus / Ben York Jones
Elenco: Felicity Jones, Anton Yelchin e Jennifer Lawrence

           Sempre que criamos grandes expectativas em relação a alguma coisa, o mais certo é isso vir a trair-nos e resultar numa grande desilusão. Eu criei imensas expectativas em relação ao Like Crazy: mas aqui, o resultado não foi uma desilusão, mas sim um superar de qualquer idealização que eu tivesse feito.
            Like Crazy é um filme da vida real – é um monstro que se torna tão grande dentro de nós, como se de facto pertencêssemos àquela história de amor. Assim que chegamos a nove minutos de filme, estamos completamente rendidos a estas personagens tão reais que desenvolvem uma relação de amor da maneira mais simples possível.
            Nunca tinha visto nada com a Felicity Jones, mas não há maneira de escaparmos à  sua brilhante e natural prestação como atriz. É duma beleza e fragilidade tal: que nos leva a  ficar vidrados em planos centralizados na sua personagem. Anton Yelchin é muito bom também, mas isso já eu sabia desde as psicanálises de Charlie Bartlett.
            A fotografia, a edição, o argumento: tudo está em perfeita harmonia neste filme e acerta-nos como um soco no estômago – assim ao jeito de Blue Valentine. A banda sonora é genial (é bom referir) e é a cereja no topo do bolo deste nosso envolvimento duma história que nos sendo estranha, é muito nossa também.
            Like Crazy não é o filme que o trailer promete, é muito melhor que isso – mas essa questão vai fazer com que o filme seja incompreendido por muito boa gente e acabe posto de lado no circuito comercial banal: o que sinceramente, na minha opinião – é sempre bom sinal.
            Para quem está à espera de uma história de amor que consiga ultrapassar tudo – pode entrar na sala de cinema ao lado porque esta não é essa história: esta é uma história de amor real e isso é sempre muito melhor que qualquer conto de fadas que nos atirem para cima formatado e pouco original. Esta é uma história sobre as ironias da vida: sobre aquilo que temos e não conseguimos ver - sobre as coisas que não conseguimos entender.
Drake Doremus é assim um realizador e argumentista de que se espera muito a partir de agora, mas acredito veemente que será bastante complicado superar uma história de amor que nos faça apaixonar “como loucos”.